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sábado, 5 de janeiro de 2008

De novo

Por André Laurentino

Ano novo não acaba; ano novo só começa. 2008 abracadabra! Nosso sonho está com pressa.

Este é o começo de uma mensagem de fim de ano que escrevi para o programa Fantástico (você me viu?, você me viu?). Além das rimas e de uma sílaba poética sobrando no terceiro verso, a idéia guarda um pouco do que eu penso sobre os começos.

Tudo é começo. De ano, de mês, de dia, de expediente. E cada início destes tem um sabor de novidade: um quê de agora vai. Como se o começo das coisas, sozinho, fosse suficiente para garantir o resto.

Um belo exemplo da força dos começos é qualquer coquetel à base de leite condensado (muito comum em festas de reveillon). No primeiro gole você pensa, “finalmente! Achei minha bebida preferida sem sombra de dúvidas”. No meio do copo, as sombras de dúvida aparecem: você está passando o copo para que todos na mesa provem, ou seja, para que todos ajudem. No fim da coisa, treva total: você já descansa o copo entre garrafas vazias e restos de lentilha para ver se confundem e o recolhem junto.

É claro que o ano novo é um começo especial. Demora muito até chegar o próximo e, entre uma coisa e outra, você já não sente mais o cheirinho de carro novo, e mete seu ano na lama, passa na buraqueira, e não faz as revisões que no dia primeiro jurou fazer. Tudo bem. Assim é melhor. Porque o ano novo começa quando a gente bem entende. Ou quando nasce nosso filho. Ou quando você se apaixona. Ou quando toma um susto e passa a levar a vida mais a sério, ou mais na brincadeira. Ou quando compra uma prancha de surfe. Ou quando não entra numa calça. Na verdade, nós somos um primeiro de janeiro ambulante. Só não lembramos disso. O que acontece é que, uma vez por ano, essa nossa força de mudar se encontra com o calendário. E o resultado é uma energia, uma alegria, uns fogos que estouram nas praias mais secretas aqui de dentro.

Tomara que em 2008 você não se esqueça disso. Nem na mais louca bebedeira do carnaval. Mas, se esquecer, março começa logo em seguida. E você será outro. Até que em julho, encolhido de frio, você acha que não conseguiu tudo aquilo que janeiro prometia. Ainda faltarão seis meses para vencer o prazo, mas você pensará em levar na maciota um pouquinho, até que em novembro você já espera a chegada do próximo janeiro, quando o verdadeiro você surge outra vez e põe as coisas em ordem e muda tudo o que está errado. Que seja. Mas daqui a um ano, ao menos lembre-se de não pedir o coquetel de leite condensado. Espere, e alguém na mesa vai oferecer um gole. Prove, e saboreie sobretudo a sabedoria e a experiência. Huuummmm... nada como um ano após o outro.

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" diz-se das contracções próprias das fibras musculares do estômago e do intestino, para impelirem, até à expulsão, as substâncias não assimiladas pelo organismo "

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